Aplicativos gratuitos poderão vender recursos e conteúdo
Postado sexta-feira, 16 out 2009, às 19:40Ontem, em e-mail enviado aos desenvolvedores de iPhone, a Apple anunciou que os programas gratuitos da plataforma poderão efetuar a venda de conteúdo e recursos adicionais.
Para quem não sabe, a venda direta a partir do aplicativo, sem que o usuário precise acessar a iTunes App Store, foi uma das novidades da versão 3.0 do iPhone OS (sistema operacional do iPhone e do iPod touch), lançada em junho. Esse recurso permite, por exemplo, que o usuário de um joguinho adquira complementos como níveis, personagens, acessórios e vestimentas, tal qual ocorre nos atuais consoles de videogame.
Até ontem, essa comodidade estava restrita aos programas pagos, mas, a partir de agora, os aplicativos gratuitos também poderão fazer uso do procedimento.
A novidade tem vários aspectos positivos e alguns poucos negativos. Há também algumas questões nebulosas, principalmente no que tange ao ranking de produtos na loja da Apple.
Marco Arment, criador do Instapaper e principal desenvolvedor do Tumblr, faz em seu blog uma competente análise da notícia. Para quem sabe inglês e tem interesse no assunto, recomendo sem restrições a leitura do original.
Eu, consciente de minha insignificância para comentar o assunto com a mesma propriedade de alguém do porte de Arment, vou me limitar a citar os principais pontos levantados por ele:
- A medida praticamente extinguirá a necessidade de criar duas versões (uma gratuita e uma paga) para cada aplicativo. Afinal, basta lançar uma só versão (que Arment apelida de “gratuita+”) com recursos básicos ou patrocinada por anúncios e, mediante pagamento, liberar toda a funcionalidade ou eliminar a propaganda. Arment lembra, porém, que isso não é viável para programas já existentes, pois requeriria que os atuais usuários adquirissem novamente o produto.
- Versões demo com limite de tempo continuam proibidas pela Apple, mesmo sob o novo sistema.
- Criam-se dúvidas quanto à classificação desses aplicativos nos rankings de downloads da loja do iTunes. Afinal, programas do tipo “gratuito+” devem concorrer na categoria ‘Pagos’ ou na ‘Gratuitos’? Arment entende que a inclusão em qualquer dessas categorias será injusta para aplicativos 100% pagos ou 100% gratuitos.
- Um ponto muito bem lembrado é que esse novo modelo acabará com um grande inconveniente do sistema atual: o não-aproveitamento dos dados do usuário. Hoje, quem baixa a versão gratuita, digamos, de um bloco de notas e depois adquire a paga do mesmo programa deve reinserir na versão comprada todas as notas que havia incluído na gratuita. Isso se deve ao fato de que, para o iPhone/iPod touch, trata-se de dois programas diferentes, cada um com seu próprio arquivo de preferências. Já pelo novo modelo, em que existe apenas um aplicativo, todos os dados inseridos durante o período gratuito são preservados após a aquisição de recursos e conteúdos adicionais.
- A conclusão de Arment é de que essa mudança é positiva tanto para os desenvolvedores quanto para os usuários.
Diante desse otimimismo, do qual compartilho, minha única ressalva é quanto à possibilidade, aventada no Twitter pela empresa Bjango, de que haja um afluxo de avaliações negativas na App Store, emitidas por usuários que se sentirão ludibriados por baixar uma versão gratuita e descobrir que os recursos mais interessantes são liberados somente sob pagamento. Não duvido que isso aconteça, mas não há como antever as implicações de tal fenômeno. Afinal, isso já aconteceu uma vez, sem grandes conseqüências. Foi quando o iPhone OS passou a mostrar a tela de avaliação sempre que o usuário deletava um aplicativo. Convenhamos: na grande maioria das vezes, a pessoa joga fora um programa porque não gostou ou não precisa dele; se o sistema pede uma avaliação justamente nesse momento, é natural que as notas não sejam das mais altas. Se essa distorção nas avaliações, que vem ocorrendo em grande escala há quase um ano, não influenciou significativamente a decisão de compra dos usuários, talvez a potencial tendência de diminuição das notas devido ao novo sistema não o faça também.
Bom, é isso. Como se viu, este post acabou ficando muito maior do que o artigo que me propus a comentar. Se você tivesse ido ao original, já teria terminado há muito tempo. Que isto lhe sirva de incentivo para deixar a preguiça de lado e aprender inglês de uma vez por todas.
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